O que aprendemos com o incêndio no Museu Nacional?

O incêndio no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, ocorrido em setembro de 2018, no Rio de Janeiro, causou indignação geral pelo descaso com o patrimônio histórico brasileiro. Além de deixar um prejuízo cultural incalculável, deixou também várias lições. Uma delas é a importância da manutenção predial e a seriedade e o cuidado com que esse tema deve ser abordado.

O palácio apresentava sinais visíveis de degradação. As condições precárias das instalações deixavam à mostra infiltrações nas paredes descascadas e fios elétricos expostos que comprometiam toda sua estrutura física. É de conhecimento público que o prédio não recebia a devida manutenção e necessitava urgentemente de reforma. Em decorrência da falta de manutenção da estrutura elétrica, o prédio vinha sofrendo de uma das principais consequências que a negligência da manutenção desse tipo de estrutura causa: alto consumo de energia. Segundo seus responsáveis, estava prevista para ser realizada uma reforma. Muito tarde, como sabemos agora. O incêndio e o desabamento da estrutura interna que ele causou provocaram a destruição de 90% de um dos mais valiosos acervos do país.

Segundo o governo, R$ 10 milhões serão investidos em sua reconstrução. Esse valor seria igual a 18 anos de orçamento para a manutenção do museu, caso o desastre não houvesse ocorrido.

Qual lição é possível tirar diante desses fatos?

É possível reconhecer que a realidade do museu, antes do incêndio, não é um exemplo separado, tampouco raro de ser encontrado. Observando a falha em sua gestão, é possível traçar um paralelo com a condição estrutural encontrada em boa parte das edificações espalhadas por todo o território nacional. Prédios públicos e privados sofrem com a falta de manutenção planejada, diminuindo a qualidade de vida de todos e criando riscos a seus ocupantes. Quando o responsável pela manutenção de um prédio comercial ou residencial decide não investir no planejamento e na correta execução de sua manutenção, certamente terá problemas no futuro.

No momento em que as complicações começam a surgir, dois pontos ficam bastante claros: o primeiro é que a quantidade de dinheiro a ser investida será bem maior do que poderia ser, caso houvesse planejamento. E o segundo é que ter feito a devida manutenção em seu momento apropriado teria representado o passo mais acertado, de acordo com um ponto de vista profissional.

As empresas e os gestores que priorizam o planejamento e prezam pela correta alocação de seus investimentos estarão mais bem estabelecidos no mercado nos próximos anos. O incêndio no palácio da Quinta da Boa Vista está aí para lembrar, com seu triste exemplo, que o investimento para manutenção corretiva é muito menor que o custo para a reconstrução.